sábado, 17 de agosto de 2013

Alunos evangélicos recusam trabalho de cultura africana

Para país evangélicos, o estudo da cultura afro-brasileira ia
 expor seus filhos a outros deuses, o que a Bíblia proíbe

Isabel Costa, diretora da Escola Estadual Senador João Bosco de Ramos Lima, de Manaus (AM), comentou que, em sete anos do projeto interdisciplinar, nunca houve a confusão que ocorreu agora. “Fique muito abalada.”

Catorze alunos evangélicos do 2º e 3º ano do ensino médio se recusaram a apresentar na feira cultural um trabalho sobre cultura africana porque acharam que seria uma ofensa a sua religião e aos seus princípios morais. Eles propuseram uma dissertação sobre “As missões evangélicas na África”, e a escola rejeitou.

“O que eles [evangélicos] queriam apresentar fugia totalmente do tema”, disse Raimundo Cleocir, coordenador adjunto da escola.

No entendimento da evangélica Wanderléa Noronha, o trabalho proposto pela escola exporia a sua filha a religiões de matriz africanas, com o que ela, a mãe, não concorda. “A discriminação aconteceu conosco”, disse. “Por que não pode haver espaço para a religião evangélica na feira?”  Ela disse que a sua filha sofreu bullying por não aceitar a fazer o trabalho. 

O aluno Ivo Rodrigo disse que o tema "Conhecendo os paradigmas das representações dos negros e índios na literatura brasileira, sensibilizamos para o respeito à diversidade" contraria a sua religião. "A Bíblia Sagrada nos ensina que não devemos adorar outros deuses, e quando realizamos um trabalho desses estamos compactuando com a ideia de que outros deuses existem e isso fere as nossas crenças no Deus único."

O aluno Jefferson Carlos reclamou que foi obrigado a ler um livro de Jorge Amado, “chamado Jubiabá”, “onde um garoto tem amizade com um pai de santo”.  “Achei muito estranha isso, porque teríamos de relatar essa história no trabalho”, afirmou. “Queríamos apresentar de outro modo, sem falar sobre isso".

Os evangélicos também criticaram a indicação para leitura de outros livros clássicos da literatura brasileira, como “Macunaíma”, “Iracema”, 'Ubirajara', 'O mulato', 'Tenda dos Milagres', e 'O Guarany', por abordarem homossexualidade, umbanda e candomblé.

Por detrás da reação dos evangélicos está o pastor Marcos Freitas, do Ministério Cooperadores de Cristo. Ele criticou os livros que a escola listou para que os alunos lessem. "Tinha homossexualismo no meio, eles [direção da escola] querem que os alunos engulam isso?"

A discordância assumiu maior proporção, chamando a atenção da imprensa e de entidades de direitos humanos, quando os alunos montaram uma tenda fora da escola para apresentar o seu trabalho sobre as missões evangélicas na África.

Evangélicos montaram tenda para
 apresentar trabalho sobre missões
Esses alunos tiveram nota baixa porque, disse Cleocir, “o trabalho não pôde ser avaliado, pois não tinha nada a ver com a feira”. Os pais ficaram mais revoltados.

A escola promoveu uma reunião entre professores e pais para explicar as notas baixas. A convite, houve a participação de representantes dos Direitos Humanos, Movimento Religioso de Matriz Africanas, Comissão de Diversidade Sexual da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e Marcha Mundial das Mulheres.

Raimunda Nonata Corrêa, da Carma (Coordenação Amazonense das Religiões de Matriz Africana), disse que os evangélicos estavam equivocados porque a feira tem sido promovida para expor os ingredientes culturais da sociedade brasileira, entre os quais os de origem africana.

Ela ressaltou que, além disso, “a escola não é espaço de disputa religiosa”, porque o seu objetivo é “qualificar o aluno como cidadão de um país que é plural”.
Luiz Fernando Costa, professor na escola e presidente do Movimento Negro no Amazonas, lembrou que as escolas têm de ensinar sobre a cultura afro-brasileira e indígenas não só por causa de sua importância, mas também porque há uma lei federal que obriga a isso. "Todo esse tema está no currículo da escola, a discussão é sobre ensino das culturas e não sobre a religião."

A reunião na escola foi mediada por Rosaly Pinheiro, representante do Conselho dos Direitos Humanos. Ela reconheceu que o assunto é “delicado” porque as pessoas precisam entender que “vivemos numa democracia e que todos têm liberdade de expressão”.


A reunião terminou sem consenso. Na próxima semana, a Secretaria de Educação decidirá como vão ficar as notas dos evangélicos. A diretora Isabel Costa admitiu que o trabalho “Missões Evangélicas na África” poderá ter “uma avaliação diferenciada”.


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19 comentários:

  1. Vivam na Inercia sem Estudos e Sabedoria!

    Quanto mais ignorante for o individuo!
    Mais fácil será de manipula-lo!

    Mais fácil será de engana-lo!

    Mais fácil será de arrancar dinheiro dele
    em nome de uma divindade!

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    1. Chega a ser ridícula a concepção de mundo dessas pessoas!

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  2. diferenciada o Kcte ....
    tem ke da ZERo e Reprovar esses IMBECIS alienados
    Ainda processar os pais e Cadeia pa ees pastor mor

    preconceito é cruime.. e se tá na programacão do ano escolar tem que cuprir

    e os outros alunos 9outras relegioes qual seja) comecar a virar a cara Sim ( errado mas pa aprender)
    Evengelicos Lixo do mundo

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    1. Preconceito e crime! você não estaria tendo preconceito com os evangélicos pense bem a moeda tem dois lados

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    2. Então pq proibiram a oração antes da aula?

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    3. "e se tá na programacão do ano escolar tem que cuprir (sic)" A oração estava na programação escolar e foi tirada. Pq? Não tem que "cumprir"?

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  3. Poora isso é sério ? ja não basta a lavagem cerebral que fazem nos fiéis os ''obrigando'' a dar td que tem, brincar com a fé deles, agora ja esta em um nivel mais foda, agr conseguiram alienar as pessoas... avisa pra senhora que tem a filha sofrendo Bullying que tal fato só aconteceu depois de ela mesma, a própria mãe, expor de tal maneira a filha !! nisso tudo( os pais estão fazendo com as crianças o que a Igreja faz com eles(tirando as crianças que querem mesmo serem evangélicos)... vergonhoso

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  4. A verdadeira religião, independente de qual seja, ensina o amor ao próximo, a convivência na tolerância e na harmonia. O que há de errado na cultura africana? Cada país possui a sua cultura e devemos aprender a respeitar a todas elas. Se não a queres seguir, não a siga, mas não a coloque como algo vergonhoso ou errôneo. Estamos caminhando na desculturalização da sociedade em vez de evoluirmos espiritual e socialmente.

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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  6. Éégua, meu irmão!!! De onde esses caras aparecem??? Esses evangélicos tem medo de CONHECER as outras culturas! Depois falam merda, sem saber do que falam.

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  7. QUER DIZER QUE SE NA PROGRAMAÇÃO DA ESCOLA ESTIVESSE, A PALMATÓRIA VOCÊ APANHARIA FELIZ? ALIENADO É O SUJEITO QUE NÃO RECLAMA QUANDO SEUS DIREITOS ESTIVEREM SENDO FERIDOS, LEMBRE-SE QUE O PRINCIPIO DA LEGITIMA DEFESA É QUANDO INJUSTA AGRESSÃO ESTIVER SENDO PRATICADA OU NA IMINÊNCIA DE SER PRATICADA.

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    1. Que comparação mais ridícula, sem sentido, hein? Realmente não consigo compreender a dificuldade em estudar outras culturas. Talvez o problema esteja na possibilidade de estes estudantes abrirem a cabeça e verem o quão limitada é esta doutrina que seguiam até então.

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    2. E ainda falam das "Missões Evangélicas na África"? Que tipo de missão é essa que não permite aos "missionários" (entre aspas mesmo) conhecer a cultura desse povo? Minimamente, é preciso compreender para poder opinar, mesmo que não concorde!

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    3. Limitada é matar bode e oferecer pipoca para divindades... Realmente, isso é que é "serto". E não é conhecer outras culturas. É fazer trabalho explicando a existência de outros deuses. Quando cremos que eles não existem. Vai pedir para um evolucionista fazer um trabalho sobre Adão e Eva?

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  8. Cara, escrever em caixa alta dói na minha mente. A programação não agride em nada o direito de ninguém, está na constituição, faz parte da educação escolar conhecer outras culturas. Assim como conhecer os órgãos sexuais, entender o que acontece no corpo humano, sem dificuldades e dogmas.
    Qual a dificuldade em abrir a mente e explorar outras culturas? Inicialmente, o Brasil era tomado por índios e depois foi miscigenado com os negros africanos (além de muitos outros, é claro.), derrubaram a cultura de ambos com as missões religiosas. Isso sim foi uma AGRESSÃO, feriram os direitos daquele povo sem pensar.
    Convivi sempre no meio evangélico e até hoje não consigo entendê-los. Unica e precisamente porque não escuto somente o que me falam e sim porque procuro ler a bíblia e entender o que ela quer dizer. Dentre tudo o que aprendi, o que mais entrou no meu coração foi: ENTENDER o próximo, aceitá-lo, amá-lo e ajudá-lo, mesmo que esse seja diferente de mim.
    Então, sinceramente, não consigo enxergar agressão alguma, sequer violação de direitos.

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  9. Não sou cristão, muçulmano, judeu, hindu ou qualquer outra forma de codificação dogmática popular.
    Deveria eu me sentir ofendido por ter tido de estudar sobre catolicismo em um colégio católico? E depois protestantismo num colégio protestante? Não devo respeitar meus parentes evangélicos, outros espíritas e alguns sem religião definida?
    Por que as religiões que se vangloriam de serem em prol da evolução do "espírito" humano teimam em reger seus discursos aclamando a intolerância, a ignorância e a falta de respeito?
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    Independentemente de estar ou não na constituição, estudar diferentes culturas jamais será o mesmo que "aceitar a existência de outros deuses", isto é um absurdo, disparate e argumento completamente inválido.
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    Quanto a oração nas escolas, eu acredito que escolas privadas e religiosas têm todo direito (e o exercem) de promover orações como melhor quiserem.... porém colégios públicos, mantidos por um estado LAICO não devem misturar EDUCAÇÃO com RELIGIÃO.

    Afinal de contas, não é papel do estado escolher qual ilusão religiosa você prefere para sua vida.

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  10. racismo puro, mas velado. Religião mais uma vez sendo usado como forma descarada de preconceito.

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